Alunos chegam à final de hackathon sobre transição energética
Grupo desenvolveu uma plataforma com inteligência artificial para o setor elétrico
Como a inteligência artificial pode ajudar a enfrentar os desafios da transição energética? Foi em busca de respostas para essa pergunta que cinco estudantes do IMPA Tech participaram do Hackathon IA Coppe 2026, promovido pela Incubadora de Empresas da Coppe/UFRJ e pela Made in Rio. O grupo chegou à etapa presencial da competição, realizada entre 25 e 27 de setembro, e ficou entre os 12 melhores times, em meio a um público formado por estudantes de graduação e pós-graduação, pesquisadores e profissionais de diferentes áreas.
Formado por Igor Roberto Alves, Letícia Aleixo, Pedro Henrique Porto, Pedro Alberti e Richard Elias, todos da turma de 2024 e da ênfase em Inteligência Artificial e Ciência de Dados, o grupo trabalhou em um desafio proposto pela Taesa (Transmissora Aliança de Energia Elétrica S.A.): desenvolver uma solução voltada à inteligência competitiva do setor elétrico, com foco no tratamento e na usabilidade de dados.
O desafio partia de uma questão comum no setor: empresas de energia divulgam informações sobre sustentabilidade, desempenho e resultados financeiros, mas esses dados podem estar espalhados por diferentes documentos e formatos. A proposta dos estudantes foi utilizar inteligência artificial para organizar esse conteúdo e torná-lo mais acessível.
A competição começou com a seleção de 120 participantes a partir da análise de currículos. Entre 11 e 13 de setembro, os participantes participaram do Ideathon, etapa dedicada à criação de propostas para os desafios apresentados. Ao fim dessa fase, 12 grupos avançaram para a etapa seguinte.
Foi nesse momento que os estudantes do IMPA Tech começaram a desenvolver a solução para a Taesa. O grupo trabalhou no projeto e, na etapa presencial, teve a oportunidade de apresentar e validar a ferramenta diretamente com profissionais da área.
“No setor energético, todas as empresas publicam seus dados de sustentabilidade e retorno financeiro, mas o problema é que elas podem divulgar isso de qualquer forma, não necessariamente em uma plataforma integradora”, explica Igor. “O que nós fizemos foi reunir as maiores empresas, coletamos os dados disponíveis e tiramos inteligência desse material, transformando os PDFs em informações acessíveis.”

A partir dos dados coletados, o grupo desenvolveu uma plataforma funcional com um chatbot responsivo, capaz de facilitar a consulta e a análise das informações. Apesar das habilidades matemáticas, a dificuldade foi entender conteúdos específicos do setor energético. “Não conseguimos entender todo o vocabulário do campo, o que dificultou o trabalho de avaliar as decisões. Faltou o feeling do mercado”, explicou.
A experiência também levou os estudantes a refletirem sobre o papel do cientista de dados em projetos que buscam resolver problemas concretos. “Hoje em dia o cientista de dados não pode ficar só atrás de um computador. É preciso entender o cliente, a área de trabalho, entender a natureza dos dados e saber vender o produto”, destaca. “Quanto mais expandimos nossos horizontes e nosso networking, maiores as possibilidades de aplicar o que aprendemos e causar impacto social real”, acrescentou.
