Artigo de professores e aluno do IMPA Tech debate os limites da IA
Publicado no Correio Braziliense, texto analisa a natureza e uso da tecnologia
Os professores do IMPA Tech Cilene Rodrigues e Rafael Beraldo, gerente de desenvolvimento de competências do instituto, em colaboração com o estudante Kaio Costa, assinam o artigo “Reflexões sobre a natureza e o uso da inteligência artificial”, publicado na terça-feira (20) no jornal Correio Braziliense. O texto propõe uma análise crítica sobre a crescente valorização da inteligência artificial (IA) e as possibilidades trazidas pela automação no cotidiano, ao mesmo tempo em que chama atenção para o risco de esvaziamento do conhecimento humano.
O artigo é fruto de uma atividade da disciplina “Inglês 1”, realizada no primeiro semestre de 2025. Na ocasião, Kaio entrevistou os professores, ambos linguistas, para entender os impactos da IA no ensino de línguas estrangeiras. A pauta foi motivada pela adoção de textos gerados por inteligência artificial pela plataforma Duolingo e por declarações recentes de Luis von Ahn, fundador e CEO do aplicativo, de que sistemas de IA seriam mais eficientes do que professores humanos no ensino de idiomas, o que gerou intenso debate no meio acadêmico. Colunista do jornal, Cilene convidou o estudante e o professor Beraldo para transformarem o material num artigo.
A professora destaca que a experiência de escrever em colaboração com estudantes é especialmente enriquecedora. “Não só pela oportunidade de ensiná-los a escrever um texto acadêmico, mas também porque aprendemos um montão com eles. É uma questão de perspectiva. Depois de treinados em atividades acadêmicas, desenvolvemos um modo de ver o fazer ciência e sua função. Os alunos trazem um outro olhar, mais intuitivo. E muitas vezes a intuição nos ajuda a conectar melhor com os leitores e a envolver o público. Neste caso, vale lembrar também que a IA é um problema e uma solução dos jovens”, disse.
Ao longo do texto, os autores revisitam marcos históricos do desenvolvimento da IA e analisam como a tecnologia passou a ocupar um papel central em atividades tradicionalmente associadas às capacidades cognitivas humanas. Um dos trechos destaca esse movimento:
“Desde sua criação, a inteligência artificial (IA) teve dois grandes picos de audiência. O primeiro em 1997, quando o autômato Deep Blue, produzido pela IBM, derrotou o então campeão mundial Garry Kasparov no jogo de xadrez. Atualmente, somos bombardeados por propagandas que promovem o uso de IAs em tarefas cognitivas. Como consequência, delegamos a esses sistemas a produção de textos, a resolução de problemas matemáticos, criações artísticas e até julgamentos sobre as fronteiras entre o real e o irreal, o ético e o antiético. Esse cenário reforça a percepção de que a inteligência artificial supera a inteligência humana em competência e desempenho mental, justificando seu uso em larga escala. Vidrados na tecnologia, experimentamos um certo esvaziamento mental, ao deixarmos de valorizar o desenvolvimento das nossas próprias habilidades e de refletir sobre as consequências desse processo.”
O artigo completo está disponível no site do Correio Braziliense.
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