Graduanda transforma curiosidade em oportunidades
Conheça a trajetória de Bianca Zavadisk no #AlémDasEquações
Em poucos meses, Bianca Zavadisk fará as malas para viver uma experiência que, até pouco tempo atrás, parecia improvável. A estudante de 19 anos embarca para um intercâmbio na Universidade de Beihang, na China, onde cursará disciplinas relacionadas ao bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação. O que ela não imaginava é que essa oportunidade começaria a ser construída anos antes, em uma sala de aula de Curitiba (PR), quando resolveu participar de um grupo de matemática pelo prazer de enfrentar problemas de raciocínio lógico. Conheça a trajetória da jovem no #AlémDasEquações.
Foi ainda no 6º ano do Ensino Fundamental que Bianca descobriu as olimpíadas científicas e trilhou seu caminho até conquistar medalhas na Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP): uma de prata e uma de bronze. Hoje, estudante do IMPA Tech graças a essas conquistas, ela enxerga uma conexão direta entre as primeiras experiências e as oportunidades que surgiram ao longo da graduação no Rio de Janeiro.
“Sempre tive incentivo em casa para estudar, ser curiosa e ir atrás das coisas. Na escola, era uma boa aluna, sempre me destaquei em exatas e tinha um raciocínio lógico bom”, disse.
Na Escola Atuação, participou de um grupo de matemática que reunia estudantes no contraturno para resolver problemas olímpicos e se preparar para competições acadêmicas. Foi lá que conheceu e estudou para a OBMEP e a Olimpíada Paranaense de Matemática (OPRM).
Mas a matemática não foi a única área que despertou seu interesse. Para Bianca, as olimpíadas científicas ofereciam algo que nem sempre encontrava na rotina escolar. “Me aventurei até por outras áreas e participei de provas de história, física, química, geografia… Era divertido, uma forma diferente de aplicar o raciocínio. Me sentia um pouco limitada na escola, fazendo exercícios que só exigiam matéria decorada”, afirma.
Mesmo sabendo que seguiria na área de exatas, ainda não tinha decidido qual graduação cursar ao concluir o Ensino Médio no Colégio da Polícia Militar do Paraná. O interesse pela computação surgiu aos poucos, impulsionado por cursos de programação oferecidos pela secretaria de Educação do estado.
A estudante chegou a ser aprovada em Ciência da Computação na Universidade Federal do Paraná (UFPR) e em Engenharia da Computação na Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR). Ainda assim, decidiu apostar em um caminho que até então era pouco conhecido, já integrou a turma inaugural do primeiro programa de graduação do IMPA.
“Me inscrevi para o IMPA Tech sem muitas expectativas, mas estava curiosa sobre o curso. Já tinha passado para as faculdades federais do Paraná, mas segui fazendo o processo seletivo”, relembrou.
A escolha significou deixar Curitiba, a família e a rotina conhecida para viver no Rio de Janeiro. “Pela proposta do IMPA Tech, vale a pena fazer essa mudança. Saí do conforto de casa, fiquei longe da família, mas vim para cá. As oportunidades e os benefícios oferecidos são interessantes, como o alojamento e os auxílios que nos permitem focar nos estudos.”
Com currículo interdisciplinar e ênfases em Matemática, Ciência da Computação, Ciência de Dados e Física, o IMPA Tech oferece benefícios aos estudantes, como alojamento estudantil, bolsa alimentação e auxílio financeiro, além de passagens aéreas para candidatos aprovados que moram fora do Rio.
Hoje, cursando a ênfase em Ciência da Computação, Bianca diz que a decisão foi acertada. “O IMPA Tech abriu muitas portas, seja na parte científica ou no contato direto com empresas e indústrias. Cheguei aqui com uma expectativa e foi uma escolha que valeu a pena. Não mudaria nada.”
O caráter interdisciplinar da graduação é outro aspecto que chama sua atenção. “A interdisciplinaridade é curiosa porque a gente faz algumas matérias diferentes, mas depois conseguimos entender como elas se juntam. Cada pedacinho que a gente estuda faz sentido e enxergo a importância dessas áreas diferentes caminhando lado a lado”
Antes mesmo da graduação, Bianca já havia participado do PIBIC Júnior (Programa Institucional de Bolsas de Iniciação Científica para o Ensino Médio), desenvolvendo projetos de divulgação científica relacionados à aprendizagem de máquina. No IMPA Tech, passou a vivenciar novas oportunidades de aproximação com o mercado por meio dos Desafios Industriais: atividades no formato de hackathon nas quais os graduandos se dedicam a resolver questões reais de empresas a partir de ferramentas matemáticas.
Em uma das edições, realizada em parceria com a Inoa – empresa especialista em sistemas críticos para o mercado de capitais –, a aluna colocou em prática os conhecimentos de programação. “O Desafio nos oferece o contato com o ambiente empresarial, onde trabalhamos em grupo com pessoas diferentes e fazemos a divisão de tarefas entre diferentes setores. Foi uma experiência enriquecedora”, disse.
Agora, Bianca se prepara para um novo desafio internacional. Na China, ela cursará disciplinas mais específicas de computação e ficará hospedada no dormitório para estudantes internacionais. “Minhas expectativas são altas. Estou animada para estudar lá, porque teremos disciplinas diferentes, são conteúdos mais específicos que não teríamos aqui. Tenho certeza que vai valer a pena.”
Com previsão de concluir a graduação no verão de 2028, Bianca também se prepara para iniciar os estágios. “Quero ser uma estagiária diferenciada. Quero ser uma pessoa que vem de um lugar que tem um ensino diferenciado e que consiga aplicar soluções para ajudar o dia a dia da empresa”, afirma.
Ao olhar para a própria trajetória, ela acredita que iniciativas como o processo seletivo do IMPA Tech ajudam a ampliar oportunidades para estudantes engajados. “É legal considerar o nosso desempenho ao longo da vida escolar para chegar à universidade. A cota feminina é importante e faz a diferença, mas precisamos desse incentivo antes da graduação também”, acrescentou.
O processo seletivo para o bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação considera a trajetória do candidato em olimpíadas científicas, como as medalhas conquistadas na OBMEP (Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas) ou a nota na prova de Matemática do ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio). O processo é anual e ainda contempla atividades em grupo e entrevistas individuais.
