Documentário ‘Cibernéticas’ inspira debate sobre mulheres na ciência
Sessão reuniu pesquisadoras para discutir desafios e conquistas
O mês de março é marcado pelo Dia Internacional da Mulher. Para ampliar o debate sobre diversidade na ciência, o IMPA promoveu exibição do documentário “Cibernéticas", da diretora Graziela Mantoanelli, e rodas de conversas com pesquisadoras do instituto e convidadas especiais. A programação contou com duas sessões: a primeira na sexta-feira (27), no IMPA Tech, e a segunda nesta segunda-feira (30), na sede do IMPA.
Produzido pela Deusdará Filmes, o documentário apresenta percursos de meninas e mulheres que transformam o mundo por meio da inovação tecnológica, fortalecendo a presença feminina e impactando diretamente o desenvolvimento social, econômico e cultural.
Na sessão do IMPA Tech, o evento contou com a participação remota da diretora Graziela Mantoanelli na abertura. Ela conversou com os estudantes sobre os objetivos e desafios da produção. “Usamos o filme como um gatilho para discussões, para a gente tentar transformações. Entendemos que a educação é o primeiro passo para qualquer tipo de mudança que a gente possa fazer, temos que começar nessa base”, contou.
Após a exibição, o público participou de uma roda de conversa com a pesquisadora do IMPA Carolina Araujo, a gerente acadêmica Nara Bobko e a professora do IMPA Tech Cilene Rodrigues. O debate abordou temas como representatividade, barreiras de gênero nas áreas STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática), o peso da cobrança por excelência e a importância de redes de apoio entre mulheres.
“Quando começamos a trocar, compartilhar experiências, percebemos que muitas coisas não são pessoais contra a gente, são questões de gênero que são do coletivo, que são sociais. Ter pessoas em quem confiamos, uma rede para compartilhar na hora que é preciso é importante. São essas as pessoas que vão apoiar”, destacou Carolina.
Outros pontos discutidos foram o papel das políticas públicas na ampliação da diversidade na ciência e a necessidade de espaços de diálogo sobre o tema. “Toda vez que aumentamos a diversidade, promovemos a diversidade. Aumentamos o potencial de ideias diferentes. Vivências diferentes nos dizem como a ciência pode atuar na sociedade, como fator de construção e de mudança. Diversidade é importante para sabermos como aplicar”, afirmou Cilene.
Nara reforçou a ideia ao destacar a relação entre diversidade e inovação. “Farei uma analogia com tecnologia, com aprendizado artificial. Se testamos o mesmo algoritmo, o mesmo tipo de informação, não produzimos inovação, novidades. Precisamos trabalhar com um universo diferente para termos ideias diferentes e é um pouco disso o que falamos sobre ter diversidade na ciência, seja a artificial ou a natural. Precisamos de ideias e pontos de vista diferentes.”
A sessão desta segunda-feira (30), no IMPA, seguiu o mesmo formato, com exibição do documentário e roda de conversa com Asla Sá, professora do IMPA Tech; Cynthia Bortolotto, aluna de pós-doutorado do IMPA; e Nina da Hora, cientista da computação e divulgadora científica, e a diretora Graziela Mantoanelli por videoconferência.

Asla Sá, Cynthia Bortolotto e Nina da Hora
“Parece que não adianta nada falar, que as coisas não vão mudar, mas a tomada de consciência do problema pode levar, dentro de um cenário adverso, a estratégias que podem nos fazer mais fortes”, comentou Asla.
Outro foco da conversa foi o incentivo à participação e permanência de mulheres na ciência. “O que podemos fazer é tornar esse ambiente cada vez mais acolhedor, mais amigável para mulheres. E, além disso, seguir o nosso caminho pensando nelas também, no futuro, para que possamos ser exemplo e inspirar outras pessoas”, disse Cynthia.
Na mesma linha, Nina reafirmou a relevância de parcerias como um fator importante na jornada científica das mulheres. “Uma coisa que é muito importante ao longo da vida são as parcerias e as redes que temos a possibilidade de formar. Nem sempre estaremos em um bom ambiente, mas teremos uma ou duas pessoas que poderemos contar. É importante ter ao menos uma pessoa para ser parceira, para trocar e sem vergonha de fazer perguntas”.
A iniciativa é uma ação da Coordenação de Comunicação Institucional do IMPA em celebração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, e reforça o compromisso do instituto com a promoção da diversidade e da equidade de gênero no ambiente científico.



