Empresas e estudantes apresentam resultados dos Desafios Industriais
Edição inaugural do projeto reuniu IplanRio, Inoa e Grupo MAG
Após cinco meses de trabalho, a primeira edição dos Desafios Industriais do IMPA Tech foi concluída nesta sexta-feira (10), com a apresentação de projetos desenvolvidos por alunos do bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação para três empresas parceiras: IplanRio, Inoa e Grupo MAG.
A iniciativa aproxima a formação acadêmica das demandas do mercado: estudantes da graduação trabalharam em equipes para solucionar problemas apresentados pelas empresas parceiras, com acompanhamento de professores orientadores e um responsável técnico da empresa parceira.
“A nossa proposta no IMPA Tech é formar pessoas para a indústria, para a pesquisa e, às vezes, para atuar na fronteira entre essas duas áreas. Mas os alunos nem sempre chegam aqui sabendo qual caminho querem seguir. O desafio é o primeiro contato com questões reais das empresas, além de ser uma oportunidade para desenvolver habilidades de comunicação e trabalho em equipe”, afirmou o gerente de desenvolvimento de competências do IMPA Tech, Rafael Beraldo.
As atividades começaram em fevereiro e, ao longo dos últimos meses, os estudantes tiveram contato com o ecossistema das empresas parceiras, utilizando linguagens de programação, ferramentas e metodologias aplicadas no ambiente profissional. O projeto tem formato semelhante ao de uma hackathon de longa duração e funciona como uma etapa anterior ao estágio.
Soluções para problemas reais
No desafio proposto pela IplanRio, os estudantes trabalharam na padronização de dados de endereço do Registro Municipal Integrado (RMI), com o objetivo de tornar as informações mais confiáveis para uso em políticas públicas e pesquisas urbanas.
“Conseguimos ter contato com problemas reais e com impacto social, que não veríamos dentro de um trabalho tradicional da faculdade”, destacou o estudante Arthur Silva.
O diretor-presidente da IplanRio, Thiago Trabach, ressaltou a dedicação dos alunos e afirmou que parte das soluções apresentadas poderá ser aproveitada pela empresa.
“O desafio parece simples, mas, na realidade, é um problema que não tem uma solução certa. É preciso fazer escolhas de caminhos e possibilidades. Nossa expectativa era dar acesso a tecnologias atuais e softwares utilizados na vida real, mostrando as limitações e qualidades de cada plataforma. O resultado foi muito interessante e possivelmente vamos incorporar algumas sugestões em nossas produções. Queremos seguir juntos porque faz parte da nossa missão formar novos cientistas e pesquisadores”, afirmou.

Na Inoa, os estudantes desenvolveram uma solução capaz de ler, organizar e disponibilizar para consulta dados públicos da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), órgão responsável por regular e fiscalizar o mercado de capitais brasileiro. As informações, que incluem dados sobre carteiras de fundos de investimento, podem ser analisadas para gerar métricas úteis ao setor financeiro.
Para o professor Rodrigo Ribeiro, a experiência mostrou aos alunos que os desafios encontrados no ambiente profissional também fazem parte do processo de aprendizagem.
“Quando vemos um problema em um livro acadêmico, aquela questão já foi lapidada e sabemos que existe uma solução. Mas esse não é o caso da indústria. No desafio, passamos por problemas técnicos, como questões de acesso e divergência de plataformas, e isso foi importante para a nossa didática. Foi interessante lidar com esses obstáculos, porque vemos que a teoria nem sempre se aplica diretamente à prática, mas os resultados foram muito satisfatórios”, avaliou.
O desenvolvedor de softwares da Inoa, Leonardo Santos, destacou o desenvolvimento de competências técnicas e comportamentais durante o projeto.
“Vimos aqui o resultado técnico do projeto, que é muito relevante, mas esse desafio também trouxe um aprendizado de soft skills muito importante. Tudo que vocês conseguiram aprender ao longo das etapas prepara vocês para o mercado, seja nas habilidades de comunicação, organização ou relacionamento entre as equipes”, afirmou.

Já o Grupo MAG apresentou dois desafios aos estudantes. No primeiro, os alunos investigaram como dados e variáveis pouco explorados pelo mercado segurador podem contribuir para compreender fatores que influenciam a sinistralidade dos seguros de vida. No segundo, analisaram indicadores de produtividade, qualidade, colaboração e evolução de equipes de tecnologia para identificar fatores associados ao alto desempenho dos squads da companhia.
“Foi muito interessante perceber como a matemática complementa o conhecimento de negócio. Com ela, conseguimos identificar padrões e inconsistências que dificilmente apareceriam em uma análise tradicional”, destacou o estudante Gustavo Cardoso.
Para o aluno Pedro Henrique Barbosa, a experiência permitiu conhecer mais de perto a atuação de um cientista de dados.
“Foi uma oportunidade para sentir um pouco de como o mercado de trabalho recebe um cientista de dados. Tivemos contato com a plataforma Databricks e conhecemos a dinâmica de trabalho na MAG”, disse.
A superintendente de arquitetura e transformação tecnológica do Grupo MAG, Paula Silva, ressaltou o potencial da colaboração entre universidade e empresa.
“É muito legal ver vocês experimentando as tecnologias que usamos no dia a dia de trabalho. Fizemos questão de trazer dados reais e a falta de resposta que encontramos. Às vezes, no mundo corporativo, falta profundidade nas análises, e é aí que a expertise de vocês nos ajuda. Vocês nos devolveram um início de aprofundamento sobre as informações e os dados que temos. Foi muito legal. Tenho certeza de que esse papo não acaba por aqui”, afirmou.
Próximas conexões com empresas e pesquisa
A experiência dos Desafios Industriais reforça a proposta do IMPA Tech de formar profissionais capazes de transitar entre matemática, tecnologia e inovação, aplicando conhecimento científico na resolução de problemas concretos da sociedade e do setor produtivo.
A próxima integração dos estudantes com empresas e pesquisadores já tem data marcada. Em 13 de agosto, o IMPA Tech promoverá o evento “Uma formação, múltiplos futuros”, que reunirá a 1ª Feira de Carreiras e a 1ª Jornada de Iniciação Científica do instituto. A iniciativa vai aproximar a produção acadêmica das oportunidades profissionais em tecnologia e inovação.
Uma nova edição dos Desafios Industriais está prevista para o início de 2027. A seleção de instituições parceiras ocorrerá em meados de agosto de 2026. Empresas interessadas em participar podem entrar em contato pelo e-mail parcerias@impatech.edu.br.
