Estudantes apresentam projetos sobre inovação no setor de seguros
1º Simpósio Técnico-Científico do Instituto IRB foi realizado no Maravalley
Estudantes do IMPA Tech participaram, nesta quinta-feira (10), do 1º Simpósio Técnico-Científico do Instituto IRB, realizado no Maravalley, no Rio de Janeiro. O evento reuniu representantes da academia, do setor de seguros e de órgãos reguladores para discutir o papel da ciência, da tecnologia e da inovação na transformação do mercado securitário.
Ao longo da programação, os estudantes apresentaram projetos desenvolvidos no âmbito do LabSeguros, parceria entre o Centro Pi (Centro de Projetos e Inovação IMPA) e a Superintendência de Seguros Privados (Susep), do Ministério da Fazenda.
Os graduandos Gustavo Cardoso, Pablo Cerqueira, Richard Elias e Gabriel Vieira apresentaram o trabalho “Base de Dados de Perdas Operacionais”. O gerente de Projetos Tecnológicos do Centro Pi, Lucas Nissenbaum, acompanhou a apresentação dos estudantes.
“Recebemos uma base de dados com mais de 20 milhões de registros de perdas operacionais de mais de 90 seguradoras e resseguradoras do Brasil. O objetivo era tratar essa base de dados e fazer uma análise sobre tudo isso e apresentar para a Susep”, explicou Vieira.
Elias detalhou o trabalho realizado pelo grupo. “Nós refatoramos os dados e entregamos um dashboard para exploração das informações e um gerador de relatórios de inconsistências, que aponta registros fora do padrão de reporte. Foi um trabalho bem coletivo: todo mundo participou de todas as frentes. Foi uma ótima experiência por ser um problema real, e não apenas um exercício em sala. O maior desafio foi entender as regras de reporte a fundo e transformar isso numa interface clara para quem vai analisar”, disse.
A experiência permitiu aos estudantes aplicar conhecimentos matemáticos e computacionais a um problema concreto e conhecer desafios de um setor que depende cada vez mais de dados e tecnologia.
Segundo Nissenbaum, um dos principais desafios está em transformar grandes volumes de dados em informações que possam ser compreendidas e utilizadas por diferentes públicos. “Temos uma quantidade de dados que é massiva, e tem informação aí. Precisamos extrair informações dos dados, saber como trabalhar com essa grande quantidade. Como conseguimos apresentar o dado para uma pessoa entender melhor? Essa é a grande questão.”
Para ele, a formação matemática oferece ferramentas que podem ser aplicadas a diferentes campos. “A Matemática por trás dos problemas é a mesma independente da área. As ferramentas que estamos construindo vêm do mesmo background. É um problema de tradução, de dicionário, os termos são diferentes e, quando conseguimos quebrar essa barreira, as bases matemáticas fluem.”
Cynthia Bortolotto, pós–doc no IMPA, também participou do simpósio, com o projeto “Análise de Sentimentos”. Os dois trabalhos estão em desenvolvimento e seguem sendo aprimorados no âmbito do LabSeguros.
Aproximação entre academia e indústria
Na abertura do simpósio, a gerente acadêmica do IMPA Tech, Nara Bobko, ressaltou a importância da aproximação entre a formação acadêmica e as demandas do setor produtivo.
“É um orgulho estar junto de vocês nessa parceria. Estamos otimistas com os resultados que vêm por aí, a partir da aproximação entre academia e indústria, que geralmente ficam tão segregadas”, afirmou.
O Instituto IRB é um braço do IRB(Re) voltado à formação de profissionais multidisciplinares para o mercado de seguros brasileiro. A presidente de Projetos Tecnológicos da instituição, Eduarda La Rocque, destacou a integração entre diferentes gerações de profissionais.
“As gerações mais antigas têm experiências. Vocês, a nova geração, possuem novas tecnologias. Queremos formar novos talentos, que saibam aplicar essas ferramentas, eliminando os conflitos geracionais. A linguagem é um desafio até mesmo para o setor securitário”, disse.
O diretor de Supervisão Prudencial e de Resseguros da Susep, Cesar Neves, destacou as oportunidades oferecidas pelo IMPA Tech e a importância da formação de novos profissionais no país.
“O curso está caminhando numa linha excelente, gerando oportunidades para alunos de todo o Brasil, com estruturas e recursos para se manterem no Rio por quatro anos. Espero que depois de formados eles se mantenham no nosso país. Podem contar com a Susep”, afirmou.
