FEPE 2026 debate como atrair jovens para carreiras em STEM
Gerente acadêmica do IMPA Tech, Nara Bobko, participou do Fórum nesta terça (10)
Como atrair novos jovens para as carreiras na área de ciência? Essa pergunta guiou a discussão de uma das sessões temáticas realizada nesta terça-feira (10) no Fórum de Educação, Pesquisa e Empreendedorismo (FEPE 2026). A professora Nara Bobko, gerente acadêmica do IMPA Tech, foi uma das palestrantes convidadas para a roda de conversa, que abriu os debates educacionais do dia no CENPES (Centro de Pesquisa e Inovação Tecnológica Leopoldo Américo Miguez de Mello), da Petrobras.
A sessão abordou iniciativas para despertar o interesse em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) desde o ensino fundamental, incluindo eventos e atividades extracurriculares; possibilidades de reforma curricular para aumentar a atratividade; e ajustes necessários em currículos superiores e técnicos para atender às demandas do mercado.
O IMPA Tech se destaca nesses quesitos. Com um currículo interdisciplinar e inovador, o bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação visa a formação do profissional do futuro. A graduação oferece um ciclo básico de um ano, seguido da escolha de uma entre quatro ênfases: Matemática, Ciência de Dados, Física e Ciência da Computação. Além disso, os discentes recebem benefícios que fomentam a permanência dos jovens na graduação, como alojamento estudantil, auxílio financeiro e bolsa-alimentação.
“A evasão escolar pela necessidade de trabalhar ou cuidar da família ainda é uma barreira real. Para que os jovens acessem e permaneçam nas áreas STEM, é indispensável criar uma rede de apoio que vá além da sala de aula. É muito gratificante saber que faço parte do IMPA Tech, que tem como um de seus objetivos quebrar essas barreiras e alcançar o aluno que valoriza as oportunidades oferecidas”, destacou a aluna Dulce Costa, que acompanhou o bate-papo no FEPE.
A instituição também possui atividades dedicadas às competências sociais e comportamentais. Através do NAP (Núcleo de Apoio Psicopedagógico) e do NCE (Núcleo de Carreiras e Estágios), os estudantes contam com um suporte acadêmico diário e participam de atividades culturais e esportivas. O objetivo é formar profissionais completos, capazes de lidar não apenas com as habilidades matemáticas, mas também com as soft skills.
O debate ainda abordou um desafio importante na área científica: o estímulo às meninas. “Quando uma mulher com talento deixa de seguir uma carreira em STEM por não se sentir pertencente ou por enfrentar barreiras sociais, não é apenas ela que perde a chance de se realizar profissionalmente. A sociedade também perde. Estimular meninas nas áreas de STEM é ampliar oportunidades e fortalecer o futuro da ciência”, destacou Nara.
Um estudo publicado pela revista Science em 2017 mostra que, a partir dos seis anos, meninas começam a duvidar de sua própria capacidade intelectual em comparação aos meninos, como mostra a matéria da Startups.com.br. Para reduzir a disparidade de gênero, institutos têm promovido programas de incentivo à entrada de estudantes do sexo feminino. O IMPA Tech reserva 25% das vagas para meninas.
Em entrevista ao portal Startups.com.br, Nara afirmou que a iniciativa vem funcionando. “Essas meninas se sentem pertencentes ali, e isso tem um efeito estrutural. Muitas são as primeiras nas suas vizinhanças a ingressarem em carreiras de matemática e tecnologia, e acabam fazendo com que outras mulheres vislumbrem possibilidades nessas áreas. A mudança é gradual e temos que persistir para que se aproxime do cenário ideal.”
Dulce foi uma das candidatas aprovadas através da cota feminina. “Elas foram indispensáveis para o meu ingresso porque me deram a segurança de pensar: ‘o IMPA Tech pode ser para mim, sim! Haverá outras meninas junto comigo nessa. A área de exatas não é e não pode ser apenas masculina!’. Além disso, a existência das cotas femininas não indica que temos menos capacidade, mas serve justamente para nos valorizar e incentivar a ocupação desses espaços”, disse.
A sessão temática do FEPE 2026 foi moderada por Luiz Miranda, diretor-executivo da EnergyC. Participaram também Ana Luiza Silva, diretora-executiva da JA Rio de Janeiro, Amanda de Paula Lima, professora no CE Professor João Borges De Moraes, e Iluska Catta Vieira, especialista em sustentabilidade na SLB.
O CENPES fica na Cidade Universitária da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), que recebe o evento até sexta-feira (13), com outras rodas de conversa sobre pesquisa, educação e empreendedorismo. O evento reúne membros da academia, agências de inovação, empresas e órgãos governamentais, tendo como base a possibilidade de investimentos das empresas da área de energia, especialmente no cenário da produção de petróleo e gás.
