IA interage e participa de debates no 3º Modelo das Nações Unidas
Desenvolvida por alunos, ferramenta foi usada nas discussões diplomáticas
Diplomacia, questões sociais e geopolíticas ganharam espaço nas salas de aula do IMPA Tech durante o 3º Modelo das Nações Unidas (IMPA Tech MUN). Realizada como parte da disciplina “Construção de Narrativas Textuais”, ministrada pela professora Cilene Rodrigues, a atividade colocou os estudantes no papel de representantes de diferentes países para discutir temas contemporâneos e exercitar argumentação, oratória e negociação.
Os estudantes se dividiram em três comissões para discutir questões que estão no centro de debates internacionais. No Conselho de Segurança das Nações Unidas (UNSC), o tema foi a manutenção da paz e segurança no Oriente Médio, com foco na questão Israel-Palestina. Na Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), os debates trataram da arquitetura da economia digital, com discussões sobre marcos regulatórios e investimentos estrangeiros em data centers. Já na Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO), os estudantes discutiram políticas científicas para o século XXI e o valor do tempo na pesquisa acadêmica.
Nesta edição, a dinâmica ganhou uma novidade: a inteligência artificial passou a fazer parte dos debates. Cada delegação contou com um parlamentar simulado por IA, capaz de acompanhar as discussões, identificar pontos relevantes e formular perguntas para os estudantes em tempo real.
“Implementamos essa ideia porque o uso da IA como ferramenta é importante para que os alunos entendam o papel dessa tecnologia na sociedade. Além disso, ao lidar com as perguntas do parlamentar IA, evitamos ensaios nas perguntas e nas respostas, gerando mais reações espontâneas nos debates”, explicou a professora Cilene.
O modelo vai muito além das questões matemáticas. Para participar da simulação, os estudantes precisam estudar os assuntos discutidos, compreender diferentes perspectivas e construir argumentos para defender as posições das delegações que representam. A proposta amplia o contato dos graduandos com questões que atravessam fronteiras e exigem diálogo entre diferentes interesses.
Para a aluna Stella Ventura, a experiência trouxe uma dimensão da formação universitária que ela não esperava em um bacharelado de Matemática. “Tivemos a oportunidade de estudar e debater questões atuais e relevantes, o que contribuiu tanto para o desenvolvimento da nossa oratória quanto para a ampliação do nosso conhecimento sobre diferentes temas. Foi uma atividade importante para a nossa formação, porque adquirimos habilidades que vão além da área acadêmica”, disse.
Quando a IA entra no debate

A novidade desta edição foi desenvolvida para tornar a simulação mais dinâmica e aproximar os estudantes de uma aplicação prática da inteligência artificial. Em vez de receber apenas perguntas previamente preparadas pelos participantes, as delegações passaram a lidar também com intervenções geradas durante o próprio debate.
O aluno Kauã Oliveira trabalhou na integração dos diferentes modelos utilizados no projeto. “Essa estrutura integrada de IAs ouve o debate inteiro, vai transcrevendo o debate e armazena as informações em um banco de dados. Além disso, uma palavra-chave no debate vai ativar um protocolo que faz a IA gerar uma pergunta, que é transformada em um áudio para ser tocado em tempo real”, disse.
O sistema utiliza modelos locais, com toda a computação realizada nos computadores do laboratório. A estrutura combina o Qwen, que interpreta o debate; o Fast-Whisper, utilizado para a transcrição do áudio; e o Kokoro, responsável pela geração das falas em áudio.
Para Kauã, participar do desenvolvimento também foi uma oportunidade de transformar a curiosidade sobre IA em experiência prática. “Foi um pouco difícil porque é algo que eu nunca fiz, mas com a orientação dos professores e algumas horas pesquisando e testando, foi possível fazer, sim. Eu tinha muita curiosidade em como funcionava essa ‘pipeline’ de modelos de IA, então poder aprender sobre isso fazendo um projeto relativamente grande foi muito legal!”, relata.
A experiência do 3º Modelo das Nações Unidas reúne, assim, dois desafios diferentes para os estudantes: compreender questões que atravessam a sociedade e a política internacional e, ao mesmo tempo, experimentar novas formas de interação entre pessoas e inteligência artificial.
