‘IA na saúde mental’ é tema de seminário sobre computação
Professor da UFRJ Paulo Mann foi o palestrante convidado nesta terça (31)
A inteligência artificial (IA) já é uma realidade na sociedade e na literatura científica contemporânea. Pensando nisso, o seminário científico do IMPA Tech desta terça-feira (31), abordou como a IA pode apoiar a saúde mental, especialmente no contexto da hiperconectividade digital. Paulo Mann, professor do Instituto de Computação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), foi o palestrante convidado para a apresentação, que reuniu estudantes das três turmas do bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação.
Mann levantou artigos recentes, notícias de veículos internacionais e apresentou estudos do seu grupo de pesquisa, que investiga como os métodos computacionais podem ser utilizados no diagnóstico, tratamento e previsão de riscos de questões da saúde mental. “Falamos de IA o tempo todo, mas como podemos utilizar as ferramentas para aprimorar o diagnóstico de pessoas com depressão? A partir da análise de dados, podemos ter mecanismos de rastreio dos sintomas, ajudando os pacientes a procurarem ajuda profissional”, disse.
Na pesquisa, o professor utilizou modelos de linguagem que cruzam dados textuais e imagens para entender o comportamento dos usuários nas redes sociais. “A gente pega a imagem do Instagram, a legenda associada, coloca todas as publicações na ordem cronológica e envia para modelo. O modelo tenta fazer esse rastreio, analisando se o indivíduo pode estar ou não em um episódio depressivo”, explicou.
Curiosamente, os resultados também apontaram um fato curioso da sociedade tecnológica: a performance da felicidade nas plataformas digitais. “Percebemos que as pessoas com os maiores níveis de intensidade de chance de ter depressão, nos níveis mais graves, são aquelas com os posts mais bonitos e felizes nas redes sociais”, contou Mann.
Apesar da IA ser uma alternativa para rastrear comportamentos e apoiar no tratamento de questões da saúde mental, o bate-papo alertou ainda para questões éticas e de segurança digital. “Ao trabalhar com IA, temos impactos e vieses sobre as pessoas com a doença depressiva. Os dados utilizados para treinar modelos como o ChatGPT, por exemplo, afetam diretamente a comunicação dos modelos. Outra questão é a proteção dos dados utilizados, sobretudo no contexto de saúde mental. Além disso, não podemos deixar de pensar sobre a conexão e cognição humana. A sensação que tenho é que às vezes estamos emburrecendo, de tanto que delegamos as tarefas às ferramentas de IA”, disse.

Para o aluno Gabriel Falcão, que cursa a ênfase em Ciência de Dados, o tema abordado foi muito relevante. “As IAs estão cada vez mais presentes em nosso cotidiano e estão a mudar a forma como vivemos. Estudar os impactos sociais dessas ferramentas é um caminho natural e certamente haverão muitos temas de pesquisa sobre o assunto”, disse.
Jonas Araújo, da ênfase em Física, destacou a possibilidade de formação em IA dentro da grade curricular do IMPA Tech. “Tudo que envolve inteligências artificiais é muito interessante. Depois da popularização delas, tudo mudou e está cada vez mais interdisciplinar. A palestra nos inspira a estudar mais sobre o assunto e tentar aplicações em outras áreas do conhecimento. Quero fazer disciplinas eletivas para relacionar novos temas”, disse.
O professor Mann também é doutor (2023) e mestre (2019) pelo Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF) e já participou de diversos projetos de pesquisa nas áreas de IA, aprendizado de máquina e ciência social computacional. Seu trabalho abrange diversos campos, incluindo aplicações de IA em saúde mental, análise de séries temporais financeiras e processamento de linguagem natural (PLN).
