Inova Summit: Nara Bobko debate tecnologia e empregabilidade
Gerente acadêmica do IMPA Tech participou do evento da L’Oréal nesta quarta-feira (20)
A gerente acadêmica do IMPA Tech, Nara Bobko, debateu estratégias para reduzir o déficit de empregabilidade no mercado de tecnologia no “L’Oréal Inova Summit”, evento da multinacional de beleza. Realizado nesta quarta-feira (20) no auditório do Porto Maravalley, o painel “Hackear o Mercado Tech” contou ainda com Tatiana Roque, secretária municipal de Ciência, Tecnologia e Inovação do Rio de Janeiro, e Wiliam Potenti, diretor de Tecnologia da Informação do Grupo L’Oréal no Brasil. A mediação foi do jornalista Marlon Câmara.
Nara abriu a discussão defendendo a importância de fortalecer a produção nacional de tecnologia. “Temos instituições que formam excelentes profissionais, mas existe uma cultura de consumir mais o que já está pronto do que, de fato, desenvolver a tecnologia. No curto prazo, parece um caminho mais barato, mas no médio-longo prazo isso é ruim para as empresas. Elas ficam reféns da tecnologia que vem de fora e não é possível personalizar o que é necessário”, disse.
Nesse contexto, o Rio de Janeiro vem se consolidando como um polo de inovação, como ressaltou a secretária Tatiana. “A prefeitura do Rio de Janeiro tem uma estratégia de infraestrutura forte. Temos planos de construir o maior data center da América Latina, trazer um supercomputador pra cá. Porque uma vez que temos infraestrutura, é possível entrar nessa corrida global. Precisamos ter empresas capacitadas para absorver essa mão de obra que está sendo preparada”, disse.
Recentemente, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, anunciou parcerias estratégicas para o projeto Rio AI City, que prevê a criação de um grande polo global de inteligência artificial na capital fluminense. O Porto Maravalley receberá um supercomputador da Nvidia, uma das líderes mundiais em IA.
Segundo Tatiana, a iniciativa busca reter talentos formados na cidade e aproximar universidades das demandas do setor produtivo. “O Rio é o maior exportador de cérebros do país. Esse é o nosso maior desafio. Nós formamos bons profissionais, mas não conseguimos absorver essa mão de obra no mercado. […] O Porto Maravalley conecta a formação do IMPA Tech com empresas e startups. Queremos posicionar o Rio como um provedor de IA para todo o país.”
Essa aproximação também beneficia diretamente os graduandos do IMPA Tech, localizado dentro do hub. “A escolha do IMPA Tech aqui no Porto não é à toa. Escolhemos estar próximos das empresas e da comunidade para trazer para perto dos nossos alunos os problemas reais da sociedade. A graduação é interdisciplinar e prepara os jovens para o mercado de trabalho”, contou Nara.
Atualmente, o Porto Maravalley conta com 70 empresas e 45 startups residentes. O hub busca integrar academia, governo, setor privado e ecossistema de inovação para consolidar o Rio como referência global em tecnologia.

Com o avanço das tecnologias generativas, Potenti ressaltou que as competências comportamentais ganharam ainda mais relevância. “Com a oferta de muitas tecnologias, as soft skills passaram a ser muito importantes. O cenário que estamos é muito dinâmico, onde nossa capacidade de absorver e amadurecer todos esses conhecimentos é prejudicada. Então, precisamos de profissionais com inteligência emocional, capacidade de conectar tecnologias e habilidades de comunicação”, disse.
O IMPA Tech também oferece suporte para esse desenvolvimento. A instituição conta com o NAP (Núcleo de Apoio Psicopedagógico) e o NCE (Núcleo de Carreiras e Estágios), que atuam em conjunto para acompanhar os estudantes e auxiliar na construção de projetos de carreira a longo prazo. O objetivo é promover uma formação interdisciplinar que valorize tanto competências técnicas quanto sociais e culturais.
Nara enfatizou que a aproximação do bacharelado com a sociedade é fundamental não apenas para o sucesso dos estudantes, mas para garantir que a grade curricular traga as necessidades reais para sala de aula. “Precisamos pensar no que o mercado precisa daqui a cinco anos para que o conteúdo que os alunos estão estudando seja útil quando eles se formarem.”
A gerente acadêmica também citou exemplos de centros de pesquisa e institutos que já atuam nessa direção, como o Centro PI (Centro de Projetos e Inovação IMPA). “É necessário entender quais são os problemas reais discutidos no mercado de trabalho para encontrar soluções através dos estudos. Já existem boas iniciativas, como o Centro Pi do IMPA, o CeMEAI da USP e o Tecgraf da PUC-Rio.
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