Palestra destaca decisões estratégicas em software
Sócio-fundador da Inc. Digital apresentou desafios reais do mercado
A aula da disciplina “Banco de Dados” desta segunda-feira (19) teve um formato especial no IMPA Tech. O professor Rodrigo Ribeiro, responsável pela disciplina, convidou o desenvolvedor Luis Fernando Viégas, sócio-fundador da software house de multimercado Inc. Digital, para uma palestra sobre projetos de software e arquitetura de dados. A atividade reuniu estudantes das ênfases em Ciência de Dados e Ciência da Computação.
Com ampla experiência em programação e desenvolvimento de sistemas, Viégas apresentou casos reais vivenciados ao longo de sua trajetória profissional. Ao introduzir o convidado, Ribeiro destacou a relevância do tema para a formação dos alunos. “Ele é um dos melhores programadores que eu conheço e entende profundamente a importância da arquitetura de dados. O Luis sabe muito bem os problemas e as vantagens que um banco de dados mal ou bem projetado pode gerar. Aproveitem essa oportunidade”, afirmou.
A palestra teve como objetivo principal demonstrar, na prática, o impacto de decisões relacionadas à modelagem e ao gerenciamento de bancos de dados. Segundo Ribeiro, embora o armazenamento e a organização das informações sejam etapas centrais em projetos de software, elas ainda são frequentemente subestimadas por desenvolvedores iniciantes. Esse é justamente um dos focos da disciplina, que busca capacitar os estudantes para a construção de sistemas robustos e escaláveis.
A Inc. Digital atua no desenvolvimento de softwares para diferentes setores e reúne, em seu portfólio, projetos realizados para empresas e instituições públicas e privadas como TIM, Jeep, Vale, Citroën, MRV e o Governo do Estado de Minas Gerais. Essa vivência em projetos de grande porte serviu de base para os exemplos apresentados ao longo da aula.
Durante a palestra, Viégas compartilhou situações concretas envolvendo decisões críticas tomadas em nível de dados, nem sempre associadas a casos de sucesso. “É importante que os alunos tenham contato com os problemas reais do mercado de trabalho. Por isso, procurei trazer situações que fazem parte do dia a dia e mostram que os sistemas estão sempre em funcionamento. Muitas vezes, precisamos corrigir rotas enquanto tudo já está acontecendo”, explicou.
Outro ponto abordado foi o envelhecimento de sistemas e a importância de escolhas bem fundamentadas ainda na fase de projeto, de modo a evitar obsolescência precoce ou ciclos frequentes de manutenção. A partir de exemplos práticos, o palestrante destacou como decisões técnicas aparentemente pequenas podem gerar impactos significativos ao longo do tempo.
Viégas também ressaltou o valor do intercâmbio entre academia e mercado de trabalho. Para ele, essa aproximação contribui para alinhar a formação acadêmica às demandas profissionais. “Fora da universidade, os problemas não aparecem organizados como exercícios, com enunciado, desenvolvimento e conclusão. As situações já estão em andamento, e o profissional precisa analisar o contexto e tomar decisões em tempo real”, observou.
A aluna Bianca Zavadisk avaliou a atividade como enriquecedora para a compreensão do papel dos bancos de dados em projetos reais. “A palestra trouxe desafios que muitas vezes passam despercebidos na teoria e reforçou a importância da relação com o cliente. Ficou claro que pequenas decisões técnicas podem impactar diretamente a percepção do produto e as relações de negócio. Além disso, conversar com profissionais consolidados ajuda a entender não apenas as competências técnicas mais demandadas, mas também as soft skills e as dinâmicas de mercado que não estão nos livros”, destacou.
A atividade também marcou a primeira visita de Viégas ao IMPA Tech. Ao comentar a proposta do bacharelado, o desenvolvedor destacou o diferencial da formação oferecida pela instituição. “A base teórica em Matemática do ciclo básico é indispensável. Isso tem um valor enorme para o mercado, porque o pensamento lógico nasce daí. As ênfases permitem que o aluno se aprofunde desde cedo na área em que deseja atuar, o que faz com que ele saia muito mais preparado do que um profissional generalista”, concluiu.
