Palestra sobre língua de sinais reúne alunos de Habilidades Linguísticas
Isaac Gomes mostrou a complexidade e aplicações da Libras e da ASL
A criação e utilização das línguas de sinais foi o tema da aula de Habilidades Linguísticas desta quinta-feira (7), ministrada pela professora do IMPA Tech Cilene Rodrigues. O encontro contou com a palestra de Isaac Gomes, doutor em Estudo de Linguagem pela PUC-Rio e professor de língua de sinais no INES (Instituto Nacional de Educação de Surdos). A atividade foi realizada no contexto do Projeto Xenolinguística, que propõe aos estudantes a criação de línguas fictícias.
Voltada à turma de 2026, a aula apresentou aos estudantes como os universais linguísticos também estão presentes nas línguas de sinais. Para ilustrar essa relação, Gomes utilizou exemplos da Libras (Língua Brasileira de Sinais) e da American Sign Language (Língua de Sinais Americana), mostrando que, assim como nas línguas orais, diferentes elementos se organizam e se combinam para construir significados e estruturas de comunicação.
“Foi muito legal perceber a complexidade da língua de sinais, que não é formada apenas por gestos e ‘mímicas’. Quando pensamos em língua, costumamos associar apenas ao verbal, à fonética, mas existem modelos linguísticos que utilizam cada mínimo detalhe para definir o canal de comunicação. A língua faz parte das atividades do ser humano e muitas vezes a exclusão social da comunidade surda é feita por nós, que não aprendemos a nos comunicar em Libras”, disse o aluno Daniel Silveira.
Para a professora Cilene, o encontro foi proveitoso e mostrou a complexidade das línguas para além da oralidade. “Foi muito legal poder mostrar aos alunos que uma língua de sinais não é menor, não é apenas um conjunto de gestos icônicos, mas é uma língua complexa. O Isaac mostrou as combinações que formam sílabas e como surgem as palavras”, disse.

O Projeto Xenolinguística do IMPA Tech chega a terceira edição neste ano. O objetivo é a criação de línguas alienígenas fictícias para estudar estruturas gramaticais, sintaxe e lógica. Os alunos também podem propor a criação de línguas para além da oralidade, compreendendo o funcionamento integral do processo comunicativo.
O grupo de Silveira está criando uma língua alienígena voltada para a comunicação entre plantas. “A ideia surgiu a partir de um documentário sobre os sinais elétricos enviados entre plantas. Na Inglaterra, cientistas fizeram um experimento com tomates que eram atacados por pulgões e emitiam feromônios no ar, como se fosse um sinal de alerta, para que os tomateiros ao redor pudessem se proteger através da emissão de toxinas. Pensando nisso, vimos que era viável criar uma língua para as plantas”, explicou.
Para o aluno, a inclusão do Projeto Xenolinguística em um curso de exatas é surpreendente, mas colabora para a percepção da importância do pensamento interdisciplinar. “É um trabalho que incentiva a parte científica, com pesquisa em biologia, sistema combinatorial e sistema de linguagem. A matemática não é uma disciplina isolada, mas um mundo com infinitas aplicações na biologia, na automatização e na medicina, por exemplo”, concluiu.
Os trabalhos estão sendo desenvolvidos como parte da avaliação semestral de Habilidades Linguísticas. Em 18 de maio, os estudantes fazem a apresentação parcial do projeto, que será comentado e revisado para a entrega final, a ser realizada em julho. Em 2024 e 2025, graduandos apresentaram as línguas alienígenas e foram avaliados por professores do IMPA Tech e de instituições parceiras.
