Pesquisadora da UFF discute futuro da Engenharia de Software
Professora Vânia Neves apresentou seminário desta terça-feira (9)
Como é desenvolver softwares na era da inteligência artificial (IA) generativa? Esse foi o tema do seminário acadêmico do IMPA Tech desta terça-feira (9), ministrado por Vânia Neves, professora do Instituto de Computação da Universidade Federal Fluminense (UFF). Organizado pelo professor Uéverton Souza, o encontro foi realizado após as aulas e reuniu estudantes das três turmas do bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação.
A apresentação começou com uma introdução às possibilidades de atuação na Engenharia de Software — área responsável por organizar processos, métodos e ferramentas para desenvolver, manter e evoluir sistemas com qualidade. Em seguida, a palestrante abordou o impacto da inteligência artificial generativa no setor e as transformações que a tecnologia vem promovendo no trabalho dos profissionais da área.
“Muita gente se pergunta se a inteligência artificial vai roubar nossos empregos. É uma preocupação que chegou a todas as áreas, seja na computação, nas letras ou na medicina. O fato é que o uso de IA no desenvolvimento de software já é uma realidade. Ela funciona como uma assistente de processo e pode ser utilizada para escrever requisitos, definir critérios de aceitação, gerar códigos e realizar testes automatizados”, explicou Vânia.
Para a professora, o fator humano continua sendo indispensável. “Usar a IA generativa não significa confiar cegamente nela. Uma adoção ampla não significa, necessariamente, alta confiança. Antes, o trabalho era totalmente manual e exigia mais testes e correções. Hoje, é possível gerar sugestões, automatizar etapas e obter explicações rapidamente, mas ainda precisamos avaliar os resultados.”
Segundo ela, a tecnologia trouxe ganhos expressivos de produtividade, mas dominar os conceitos fundamentais da área continua sendo essencial. “Desenvolvimentos que levavam dias agora podem ser realizados em poucos minutos. A IA já mudou a forma como desenvolvemos software; a questão é como estamos nos preparando para essa mudança”, afirmou.
É justamente para esse cenário que a formação interdisciplinar e tecnológica do IMPA Tech busca preparar seus estudantes: profissionais capazes de acompanhar as inovações acadêmicas e as demandas do mercado de trabalho. “Dominar os fundamentos é um diferencial. Não adianta usar a IA sem compreender o que ela está fazendo por você. É preciso desenvolver pensamento crítico para revisar, testar e validar os resultados, avaliando riscos e qualidade”, destacou a palestrante.
Doutora em Ciências da Computação e Matemática Computacional pelo Instituto de Ciências Matemáticas e de Computação da Universidade de São Paulo (ICMC-USP), Vânia é professora da UFF e pesquisadora na área de Engenharia de Software. Seus estudos concentram-se em Teste de Software, geração automatizada de testes e aplicações de inteligência artificial generativa no desenvolvimento de sistemas.
Para o aluno Kauã Oliveira, a discussão promovida no seminário foi enriquecedora. “Sou um amante da programação e fascinado pela capacidade de modelar sistemas reais. Já tinha um conhecimento básico sobre a estruturação de agentes de IA, mas aprender mais sobre como os profissionais estão lidando com essa ferramenta ampliou minha visão”, disse.
Natural de Três Rios (RJ), o estudante cursa o primeiro ano da graduação. “A estrutura da instituição é impecável, mas acredito que o diferencial está na qualidade dos nossos professores e dos convidados que participam desses seminários. Esses encontros criam uma conexão direta entre o ambiente acadêmico e o profissional, trazendo clareza para temas complexos”, afirmou.
