Seminário apresenta possibilidades da IA na pesquisa matemática
Guilherme Silveira destaca papel do pesquisador na validação dos resultados
As possibilidades abertas pela inteligência artificial (IA) na pesquisa matemática foram debatidas, nesta terça-feira (7), no seminário acadêmico do IMPA Tech com o programador Guilherme Silveira, co-fundador da Alura, maior plataforma de educação tech do Brasil. O ciclo de encontros, organizado pelo professor Uéverton Souza, promove apresentações interdisciplinares para os estudantes do bacharelado em Matemática da Tecnologia e Inovação.
Medalhista da ICPC (International Collegiate Programming Contest), competição de programação universitária mais popular do mundo, Silveira já usou computação na mágica, na poesia, na arte e na educação. Nos últimos anos vem focando em como conectar seus conhecimentos mais recentes de IA e computação ao seu passado na graduação de matemática aplicada no Instituto de Matemática e Estatística da Universidade de São Paulo (IME-USP).
Na conversa com os estudantes, o palestrante destacou a centralidade da programação na formação acadêmica contemporânea. “Saber programar é uma habilidade. Existe um mundo de cálculos e otimizações que podemos fazer. Para usar o computador como ferramenta de pesquisa matemática, é preciso saber programar”, disse.
Silveira também chamou atenção para os limites e responsabilidades no uso de ferramentas baseadas em IA. Segundo ele, mesmo com o avanço de modelos capazes de escrever código, conduzir experimentos e até auxiliar na redação de artigos em LaTeX, a capacidade crítica do pesquisador permanece indispensável. “O que não mudou foi a barreira de julgamento. Hoje, conseguimos produzir mais resultados, em menos tempo e em mais frentes — mas é preciso saber avaliar tudo isso com rigor”, explicou.
Ao longo do encontro, foram apresentados exemplos de resultados matemáticos obtidos com apoio computacional, além dos sistemas utilizados para alcançá-los. O palestrante também detalhou processos criativos envolvidos no desenvolvimento dessas soluções, evidenciando como a IA pode ampliar caminhos de investigação científica.

Para o estudante Mateus Bandeira, a palestra trouxe uma perspectiva inovadora sobre a formulação e exploração de conjecturas matemáticas. “Em um cenário tão preso a um padrão de procedimento, ele teve uma ideia muito inovadora que no futuro provavelmente será o padrão. Através do poder computacional dos LLMs, é possível atacar vários problemas simultaneamente, tornando todo o processo de observações e testes mais eficiente”, afirmou.
A presença da inteligência artificial no cotidiano acadêmico também foi destacada pelos alunos, que defendem um uso estratégico e responsável das ferramentas. “A IA pode auxiliar no desenvolvimento de programas e na ajuda com os estudos, mas devemos ter cuidado para não deixar de aprender e ter ganhos reais. São ferramentas de alta eficiência, mas sempre deve haver verificações de seu trabalho”, acrescentou Bandeira.
