Uma formação, múltiplos futuros: evento reúne pesquisa e mercado
Evento promoveu a 1ª Feira de Carreiras e a Jornada de Iniciação Científica do IMPA Tech
Pesquisa acadêmica e mercado de trabalho ocuparam o mesmo espaço nesta quinta-feira (13), no IMPA Tech. Realizado sob o tema “Uma formação, múltiplos futuros”, o evento reuniu a 1ª Feira de Carreiras e a 1ª Jornada de Iniciação Científica, aproximando estudantes de diferentes possibilidades de atuação profissional e de trabalhos desenvolvidos na própria graduação.
Ao longo do dia, 25 estudantes apresentaram seus projetos de pesquisa em sessões de pôsteres, enquanto empresas conversaram com os graduandos sobre oportunidades profissionais. Stone, Inoa e MAG, patrocinadoras do IMPA Tech, apresentaram pitches sobre a história e a cultura das companhias. Radix, CERC, Axia, Valor Capital Group e Banco BOCOM BBM também participaram da feira, falando sobre as áreas de atuação e programas de estágios disponíveis.
A programação contou ainda com a palestra “Trace o seu próprio caminho”, da pesquisadora brasileira Cristina Nader Vasconcelos, Staff Research Scientist da Google DeepMind, e com a mesa-redonda “Pesquisa de base e inovação brasileira”, mediada pela professora Cilene Rodrigues.
Pesquisa científica ganha espaço
Na 1ª Jornada de Iniciação Científica do IMPA Tech, os estudantes apresentaram pôsteres sobre trabalhos desenvolvidos nas ênfases do bacharelado: Matemática; Física; Inteligência Artificial e Ciência de Dados; e Ciência da Computação. Os jovens compartilharam resultados das pesquisas desenvolvidas no contexto do PICME (Programa de Iniciação Científica e Mestrado) e desenvolveram habilidades de comunicação.

“Estar em contato com as empresas, apresentar nossos trabalhos e trocar ideias com os colegas é muito válido. Estamos conhecendo o que as companhias fazem, quais rumos podemos tomar nas nossas carreiras e quais oportunidades de estágio podemos aproveitar”, contou a estudante Yasmin Monteiro.
Para Adriana Kaminsky, a integração entre os dois eventos reforçou a importância de aproximar a pesquisa do mundo profissional. “Foi a primeira vez que apresentei um pôster num evento durante a graduação. E é legal por ser aqui no IMPA Tech, em casa, ao lado dos colegas. Além disso, podemos mostrar o que estamos fazendo para as empresas, reforçando a ideia de que a academia não deve estar separada do mercado de trabalho. Estamos em constante diálogo”, afirmou.
A professora Asla Sá, coordenadora de Iniciação Científica, explica que a integração foi planejada justamente para ampliar esse diálogo. “Escolhemos juntar esses dois eventos para amplificar a rede de comunicação entre as empresas e os projetos dos estudantes, ao mesmo tempo que os alunos podem conhecer o trabalho das companhias. Foi um dia muito produtivo e a experiência foi bem-sucedida”, avaliou.
Do campus para o mercado de trabalho
Na 1ª Feira de Carreiras, as empresas apresentaram seus propósitos, áreas de atuação, oportunidades e perfis profissionais, aproximando os estudantes de diferentes possibilidades de carreira.
“O IMPA Tech tem essa característica de formar matemáticos pro futuro de pesquisa, mas também de atuação para o futuro – e tudo aquilo que se encontra no meio desses caminhos. É um evento muito importante porque nos aproxima dos patrocinadores e traz novas empresas para o nosso espaço, apresentando suas vagas de estágio para os nossos alunos”, explicou Rafael Beraldo, gerente de desenvolvimento de competências do IMPA Tech.
O encontro também permitiu que as companhias conhecessem mais de perto os estudantes e suas experiências acadêmicas. Para Rafael Aoki Kikuchi, sócio-fundador da Inoa, o perfil técnico dos graduandos é um dos principais atrativos para a empresa. “O IMPA Tech é uma casa de talentos em potencial. Vemos aqui pessoas de todos os lugares, que têm um perfil técnico muito forte e nos atraem. É por isso que estamos aqui. No mercado, nosso maior gargalo não é a falta de demandas, é a falta de pessoas capacitadas”, afirmou.
Luís Henrique Fontes, diretor de tecnologia da MAG, ressaltou a disposição dos estudantes em buscar uma formação voltada ao conhecimento e à inovação. “Vocês já tomaram uma decisão muito difícil que é se jogar no mundo em busca de conhecimento. Valorizamos muito isso”, disse.
A formação de novos talentos também foi destacada por Luciana Rosa, gerente de atração de talentos da MAG. “Vejo aqui um celeiro de oportunidades. Precisamos de um parque tecnológico muito robusto na MAG. Precisamos ser eficientes em muitas frentes e a formação de jovens talentos é essencial para nós”, acrescentou.
Já Joice Lopes, analista de programa de talentos da Stone, chamou atenção para a necessidade de acompanhar as transformações do mercado e das tecnologias. “A estratégia de toda companhia muda, o mercado muda. A gente faz diferente para o cliente final, faz diferente nas trocas que temos internamente e vejo esse propósito refletido no meu dia a dia. Precisamos acompanhar as transformações”, afirmou.
Pesquisa, inovação e construção de carreira
A programação também abriu espaço para discutir os caminhos que se apresentam aos estudantes após a graduação. Na palestra “Trace o seu próprio caminho”, a pesquisadora Cristina Nader Vasconcelos, Staff Research Scientist da Google DeepMind, em Montreal, compartilhou experiências da própria trajetória e refletiu sobre os desafios de construir uma carreira na área de tecnologia.

Doutora pela PUC-Rio e ex-professora da Universidade Federal Fluminense (UFF), Cristina atua em inteligência artificial desde 2015, com trabalhos que abrangem aprendizado de máquina, modelos generativos, visão computacional e aplicações em diferentes áreas.
Ao conversar com os estudantes, a pesquisadora destacou que não existe uma trajetória profissional única a ser seguida. Para ela, mais importante do que reproduzir caminhos já percorridos é compreender as próprias características, interesses e objetivos. “A gente tem que achar nosso próprio caminho, aquilo que funciona para cada um”, afirmou.
Entre os aprendizados compartilhados, Cristina destacou a importância da curiosidade, da troca de ideias e da disposição para experimentar. “Compartilhem seus pensamentos. Ideias guardadas são ideias mortas. Precisamos debater, colocar nossas ideias no mundo, expor, refletir e gerar impacto. Para ter uma ideia transformadora, passamos por muitas ideias ruins, mas isso faz parte”, disse.
Cristina participou ainda da mesa-redonda “Pesquisa de base e inovação na indústria brasileira”, que ampliou a discussão para a relação entre conhecimento científico e desenvolvimento tecnológico. Mediado pela professora Cilene Rodrigues, o debate reuniu Fabiana Gavinho, do BNDES; Miguel da Silva, da Uber; Rodrigo Schuller, do Centro Pi/IMPA; e Thiago Tergolino, da Asteras.
A velocidade das transformações tecnológicas e a importância da pesquisa de base estiveram entre os temas discutidos. Para Rodrigo Schuller, apesar das mudanças aceleradas nas ferramentas e tecnologias, os fundamentos científicos continuam essenciais para compreender e desenvolver novas soluções.
“As tecnologias vão mudando bastante rápido. Projeto que fizemos em tempos remotos dos anos anteriores já usam ferramentas diferentes. Com o advento dos modelos de linguagem, o avanço é exponencial. Mas a ciência de base se mantém estável até aqui. A pesquisa avança, as tecnologias mudam, mas entender o que está por trás disso é fundamental”, afirmou.
A combinação entre os dois momentos reforçou uma das principais mensagens do evento: a formação dos estudantes pode abrir diferentes caminhos, e a fronteira entre pesquisa, tecnologia e mercado é cada vez mais permeável. Ao longo de um mesmo dia, os graduandos puderam apresentar aquilo que estão produzindo, conhecer empresas e oportunidades profissionais e ouvir pesquisadores e profissionais sobre os desafios de construir uma trajetória própria.

