Virgílio Almeida e Maria Silvia Bastos refletem sobre carreira e emprego
Aula Magna 2026 abriu ano letivo e marcou chegada de 100 novos alunos
O IMPA Tech deu início ao ano letivo de 2026 com a Aula Magna realizada nesta segunda-feira (16), que reuniu os palestrantes Maria Silvia Bastos Marques, assessora-chefe da Prefeitura do Rio de Janeiro, e Virgílio Almeida, professor emérito da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) e membro da Academia Brasileira de Ciências e do Conselho Técnico-Científico do IMPA.
A Aula Magna 2026 marcou o início da terceira turma do curso de ensino superior. Cerca de 100 alunos de todas as regiões do país foram selecionados pelo desempenho em olimpíadas do conhecimento, como a OBMEP, ou na prova de Matemática do Enem.
“Já é uma tradição trazer no início do ano duas personalidades da nossa comunidade cuja trajetória de vida e contribuições podem servir de modelo. Virgílio e Maria possuem características comuns: a excelência na trajetória acadêmica e a generosidade de retribuir para a sociedade tudo aquilo que eles adquiriram com a educação”, disse o diretor-geral do IMPA, Marcelo Viana.
Primeira mulher a presidir o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Maria Silvia construiu carreira de destaque na administração pública e no setor privado. Também foi presidente da Goldman Sachs Brasil, da Icatu Seguros e da Companhia Siderúrgica Nacional (CSN).
“É muito bom ter um plano de voo, mas precisamos estar abertos ao inesperado. […] Por onde passei, aprendi muito sobre temas que não conhecia, mas a minha sólida formação acadêmica me ajudou muito ao longo da vida. Tenho certeza que não teria conseguido transitar por tantos setores, se não tivesse a capacidade analítica e os conhecimentos que adquiri ao longo da minha formação”, aconselhou.

Maria Silvia atuou ainda como secretária municipal de Fazenda do Rio de Janeiro e coordenadora da área externa da Secretaria de Política Econômica do Ministério da Fazenda. “Tem um traço marcante em minha trajetória: fui a primeira mulher em muitas das posições pelas quais passei. E em algumas sou a única mulher até hoje. É bacana, mas ao mesmo tempo é muito triste, porque deveríamos ter mais mulheres nesses lugares”, afirmou.
Referência nos estudos em inteligência artificial (IA), Virgílio Almeida também compartilhou sua trajetória na academia e setor público e aproveitou o encontro com os jovens para instigar sobre os rumos da IA.
“Numa sociedade digitalizada, ninguém sabe quem manda no que. Existe uma mão invisível da tecnologia que nos rege. Nossa vida está cada vez mais influenciada pelos algoritmos, seja quando você pede um Uber, quando escolhe um filme na Netflix, ou quando utiliza o Waze para se guiar”, disse.
No ano passado, o professor foi um dos vencedores da primeira edição do Prêmio Unesco-Uzbequistão para Pesquisa Científica sobre Ética na Inteligência Artificial. A honraria reconhece iniciativas que enfrentam os desafios éticos da inteligência artificial e propõem soluções inovadoras e responsáveis para seu uso.
“Tenho uma convicção fundamental: um país moderno e justo depende de ciência, tecnologia e universidades. Acho que vocês fazem parte dessa história e devem pensar na contribuição pública e na maneira de motivar a sociedade para as questões da ciência”, afirmou Almeida.
Ele também defendeu uma formação interdisciplinar, com atenção às dimensões sociais e humanas. “O futuro exige profissionais bilíngues — não no sentido de falar inglês, mas engenheiros com formação mais sólida em artes e com capacidade de desenvolver tecnologias de forma ética.”

Em um cenário de rápido crescimento tecnológico, os algoritmos estão cada vez mais associados ao poder. “Vivemos um momento difícil de prever. A IA avança rapidamente, mas ainda apresenta falhas e muitas vezes está concentrada nas mãos de grandes empresas. Ela está transformando o futuro, mas vocês têm a capacidade de moldá-lo agora”, afirmou.
Nesse contexto, Almeida destacou que o desenvolvimento tecnológico precisa caminhar ao lado de reflexões éticas e sociais. Para ele, formar profissionais capazes de compreender essas transformações é um dos grandes desafios das universidades no mundo contemporâneo.
